Sexo ao sol
Deitada na esteira na praia
Um suave sol de tarde
aquece a pele macia
a paz, o som do mar,
as ondas, a maresia
Clitóris ao sol, umbigo aquecido
A brisa que acaricia
E o mais é esquecido
Nenhum ser é presente
Vive a tarde envolvente
E o mar, e as ondas,
e a brisa... tocam a alma
E tudo basta.
De repente ao longe
um vulto!
Correria para se vestir
ou agir naturalmente?
Ah... deixa que ele venha,
que veja, e que vá com a impressão que quiser.
E aproximando era um deus grego
E Afrodite se torna meu nome.
E eis que não passa por mim,
mas se aproxima e se agacha.
Olha em meus olhos, me rodeia
E eu tonta e embriagada não penso em mais nada.
Ele se aproxima e inspira meu perfume
e eu fecho os olhos e sinto o primeiro toque
Deita sobre mim e
com seus lábios devora minha boca
macho sedento encontra fêmea
O peso do seu corpo animal
E me deito, e me cobre... vejo o céu!
Ele em cima num azul sem fim
é o que meus olhos vêem
E o meu corpo pulsa, a pele sua,
os braços envolvem,
E o céu... e o paraíso se fundem...
Agora com joelhos e mãos na areia
com o mar já agitado de cenário
a felicidade do momento está em mim.
Pele quente, cheiro animal
E já bem forte,
barriga na areia, rosto em chão
sinto o golpe forte
penso talvez: fatal
Minha pele na areia machuca
(de-lei-to-sa-men-te!):
Masoquismo é prazer!
E a areia, e o sol,
e o mar, e a brisa, e a maresia, giram,
loucamente, e ofegante...
jorram e pulsam
até que o gozo criador
paira sobre a face das águas.
E natural, pleno, leve
vai ao mar, afunda
e some no oceano de poesia.
Quanto a mim,
não quero saber o que nem o que é!
Deu-me o que eu queria!
E olhando dois sóis em céu e mar
dourada e muito conformada
despeço-me do encalorado pôr-do-sol.