sábado, 28 de abril de 2012

Vestígio de solidão

Vestígio de solidão

Por não ter você
a Poesia nasce
Ah... quem me dera
trocar estas palavras
por um sorriso sequer!
Essa poesia não é bela
Seja você presente e não ela.

Verbo de Ligação em primeira pessoa

Verbo de Ligação em primeira pessoa

Pareço alguém?
        Sou ninguém!
                  Estou além?
                        Permaneço...
                                    andando...
                                                      só...
                                    procurando                                                    mim.
                                   um     
                          verbo
                    que
             me
       ligue
a

To be continued

To be continued

Não  tenho você
por isso amo-te tanto,
mas estando você perto
seria tudo menos amor

amor é a falta é a busca
amor é inatingível alvo

Estando o amado perto
então não é mais amor
é apaziguamento é acomodação.
A minha busca já é
o que eu queria encontrar.

Para que colocar um ponto final
numa vida que começa, busca e descobre
cíclica e reciprocamente
perdida na palavra AMOR?

Não! Minha história não terá
“ e viveram felizes para sempre”
Ela estará por fazer
até o último dia de existência.

Sexo ao sol

Sexo ao sol
Deitada na esteira na praia
Um suave sol de tarde
aquece a pele macia
a paz, o som do mar,
as ondas, a maresia
Clitóris ao sol, umbigo aquecido
A brisa que acaricia
E o mais é esquecido
Nenhum ser é presente
Vive a tarde envolvente
E o mar, e as ondas,
e a brisa... tocam a alma
E tudo basta.
De repente ao longe
um vulto!
Correria para se vestir
ou agir naturalmente?
Ah... deixa que ele venha,
que veja, e que vá com a impressão que quiser.
E aproximando era um deus grego
E Afrodite se torna meu nome.
E eis que não passa por mim,
mas se aproxima e se agacha.
Olha em meus olhos, me rodeia
E eu tonta e embriagada não penso em mais nada.
Ele se aproxima e inspira meu perfume
e eu fecho os olhos e sinto o primeiro toque
Deita sobre mim e
com seus lábios devora minha boca
macho sedento encontra fêmea
O peso do seu corpo animal
E me deito, e me cobre... vejo o céu!
Ele em cima num azul sem fim
é o que meus olhos vêem
E o meu corpo pulsa, a pele sua,
os braços envolvem,
E o céu... e o paraíso se fundem...
Agora com joelhos e mãos na areia
com o mar já agitado de cenário
a  felicidade do momento está em mim.
Pele quente, cheiro animal
E já bem forte,
 barriga na areia, rosto em chão
sinto o golpe forte
penso  talvez: fatal
Minha pele na areia machuca
(de-lei-to-sa-men-te!):
Masoquismo é prazer!
E a areia, e o sol,
e o mar, e a brisa, e a maresia, giram,
loucamente, e ofegante...
jorram e pulsam
até que o gozo criador
paira sobre a face das águas.
E natural, pleno, leve
vai ao mar, afunda
e some no oceano de poesia.
Quanto a mim,
não quero saber o que nem o que é!
Deu-me o que eu queria!
E olhando dois sóis em céu e mar
dourada e muito conformada
despeço-me do encalorado pôr-do-sol.

porto a deriva

porto a deriva
como consegue guiar seu caminho
no mar sempre eterno que a vida impõe ?
como que pode, barquinho sem vela,
andar teimosinho
sem nenhum carinho?
diga-me albatroz
que de cima tu vês
 eu sou o seu porto ou quase já morro
por porto não ser ?
barquinho malvado
ah, tenha cuidado pois vai perecer.
 seu porto te espera anseia aguarda
barquinho vem logo,
o porto flutua, incerto, à deriva
 assumo barquinho: mais forte é você.

Poema metalingüístico

Poema metalingüístico

Para gozar e viver
é preciso senão caneta e papel
... chegar ao céu, sentir a brisa
sublimar, rasgar o véu

Ah... eu tenho vontade,
quero gozar e viver
Dá-me caneta e papel:
quero aquecer
Ah... criar, ah... delirar
Permita-me escrever
Ah... prestígio
Ah...

(E o que fica no papel é só vestígio)

Saudade

Saudade
Ouvindo o bater do meu coração
ajeito-me entre os frios lençóis
em que nos amamos em dias especiais.
Já não te tenho aqui
somente sua ausência se faz presente.
No silêncio sinto-me pulsar
no escuro, deitada, te desejo.
Mesmo sendo meu amor maior,
mesmo sendo minha luz e vida,
mesmo sendo meu amigo fiel,
Nesta hora,
aqui, só, entre nossos lençóis
desejo, confesso encabulada,

somente teu corpo dentro do meu.

Lembro-me como és viril
lembro-me de ti entre minhas pernas
fazendo-me suar em pleno inverno
E sozinha toco-me... desejando
tua língua, teu cheiro, teus músculos.
E sem pudor grito e libero a luxúria...
de um ato não-autêntico,
Mas ainda que em gozo consumado e o corpo saciado,

não terei a plenitude.

Pois só posso encontrá-la em seu peito, em seus braços, em seus olhos
Luz da minha vida, meu esposo, meu amado.


Putaria

Putaria
Mete a mão por debaixo da minha blusa.
mama-me em carro alheio.
Não faça barulho enquanto me penetra...
 na escada...
na floresta...
no banheiro...

Cala-me a boca com teu pau-monumento
me prosto a servir-te, intensamente
Subjuga-me, bata me, prende!
... sou tua puta
... tua filha...
... tua empregada obediente.

Beijo-te, te agito, te profano,
tua boca em meu corpo é meu manto
Toma vergonha!
... toma fogo!
... haja língua!
... to gozando!

Opção minha?

Opção minha?

Não! Não porei meu lingerie mais bonito
Para sonhar com alguém a que admire?!
Não tenho ninguém para dividir este sonho
que deve ser a dois
Para que?... Assim, depois do banho,
cansada e com sono que persevera
eu – igual a muitas outras – viro de ladinho,
gostoso,
e durmo tranqüila na minha calcinha de algodão.

O que ou quem? Mania de pensar!

O que ou quem? Mania de pensar!
A maturidade aliena
A consciência condena

Mas o instante existe
Vive quem liberta

Ainda que em breve retorne
à realidade sem poeta.

Carol Bueno

O que o destino mandar


O que o destino mandar


Amor!
Amor?
Amor...

é o que constrange
e escarra-me na cara, crua e friamente,
o quão efêmero é tudo.

Rege minha vida e a da humanidade
ainda que pela sua ausência.
Mas eles não sabem.

A eterna busca do amor já é um achado
e eu o encontrei... e o perdi
perdi de mim
... a ponto de não enxergá-lo,
rejeitá-lo. Fases.

Encontro-me a escrever,
tentando decifrar a minha conversão.
Rendição consciente.
Submissão ao inexorável.

Ao contrário de tudo,
tudo o que eu te disse ultimamente,
atente:
nada sou sem ti.


Diante do amor sou senão pequena
e involuntariamente submissa.
Para ele entrego minha vida
pela consciência da inferioridade humana.

------------------------------------------------------------
Mas queria todos...
Mas não posso com o amor
então não meto, submeto.


Agora estou sã, nada mais.

balada - beijo sem dono

balada - beijo sem dono

Ah!...   Ham!...      
Night!
...   (Ah!...)

Chega dançando
cola juntinho,
... no ritmo...

Olho no olho
alma sedenta
toca, experimenta
suam-se as mãos

O corpo aproxima
e inevitável (inexorável!):
é a carne que pulsa
o sangue que ferve:
desejo e calor

Consciência concede
e nem sabe como
encontra na boca
a água na fonte
de um beijo sem dono.

Carol Bueno

Não!

Não!
Não jogarei o bote!
Afundaremos os dois, felizes, plenos, artísticos
num mar de poesia.
                               ..
                                  ..
                                       ..

Morte vida: Carolina

Morte vida: Carolina

                                                                    Ao homem que passa, ao olhar que fica

Inexorável!

Toda vida acaba em morte
Todo amor em saudade.
Se não era amor... era senão “Daty”!

“minha vida” vida trouxe
“meu sonho” despertou

A vida começa agora...
...mas a vida se acabou...

Se sonho se vida, quem pode mo dizer?!
Se vivo e morro... tentes responder!

O maior dos amores por ti não senti
A intensidade de amar contudo vivi
A eternidade do amor não foi presente
Somente breve instante intensamente

O infinito pouco durou
  
     Mas, infinito...

                              ...

                                  ... ficou.


Interpretação do Silêncio

Interpretação do Silêncio
                                                                                                  por um amor maior

Olha ao redor...
Encontra-se só, mas não tem saudade
não tem necessidade...
A ausência de movimento, de som
evidencia ainda mais o pulsar de um coração
...coração bate, alguém vive...
(Apesar do silêncio!)
Não seja desilusão, também não o é esperança...
é senão a PLENA consciência de viver,
estar vivo e sentir o coração bater (... apesar do silêncio!)...
Apesar de, há vida:
essa luz ínfima que não sabe que aguarda alguém
(ou ainda guarda, não sei...) que lhe faça resplandecer de novo.

Supra-arte esse momento de reclusão,
purgatório de emoções, purificação de sentimentos.
Por um amor maior que ainda será, mas que por hora paira no silêncio.

Gestação no coração

Gestação no coração

Ao te visualizar
meu coração concebeu
tão puro sentimento germinou

posso chamar-me grávida
num outro órgão  que pulsa
sonha, crê e emociona

A que é gerado
darei o nome ESPERANÇA
e que nunca nascerá,
por isso se espera
com sonho, anseio
de quem guarda em si uma vida.

E se conhecer-te um dia
não mais sonharei
e esperança não será mais
que uma palavra vazia.

Então guardar-te-ei em meu coração
até o momento daquela viagem
que todos faremos um dia.


Gestação no coração

Gestação no coração

Ao te visualizar
meu coração concebeu
tão puro sentimento germinou

posso chamar-me grávida
num outro órgão  que pulsa
sonha, crê e emociona

A que é gerado
darei o nome ESPERANÇA
e que nunca nascerá,
por isso se espera
com sonho, anseio
de quem guarda em si uma vida.

E se conhecer-te um dia
não mais sonharei
e esperança não será mais
que uma palavra vazia.

Então guardar-te-ei em meu coração
até o momento daquela viagem
que todos faremos um dia.


Dialética

Dialética   

“ ...a obra de Manuel Antonio de Macedo apresenta certa discrepância...”
‘discrepância’, professor
é essa improbabilidade
que é a antítese da tua imagem:
conhecimento revelado pela forma
perfeita.
Não, eu não entendo!
Não é do plano real
Como que podem unir-se
sabedoria acadêmica
com o belo divinal?
É possível ser recíproco
o saber professado por imagem
tão grega, escultural?
Contemplo-te, respeitosamente
Já não acompanho a leitura
A aluna que por ti, deleitosamente
Descompõe-se, perde a compostura.

Professor, a tua beleza desconcentra

(20 de Outubro de 2007, especialização de literatura)

Desencontro

Desencontro

Meus olhos secaram.
Lágrimas são reminiscências.
Cética, fria
amor desconhecido
falta de poesia.
Não! Não existe amor a dois,
Apenas amo-te e amas-me
Cada um na sua frase
Cada um na sua oração
Cada um no seu contexto
Texto, história:
prosa impar
Individual!
Amo-te e amas-me
E pára, não vai além
Na nossa história
Estamos separados
O autor quis assim
Eu no capítulo Amo-te
Você no capítulo Amas-me
que não se encontram
Ah... mas está inacabada
Coloquem em nossos túmulos:
to be continued’...
Às vezes um grande amor
não cabe no espaço de uma vida...

Dependência virtual

Dependência virtual

Quando abre o e-mail
palavras, música, imagens,
conduzem à comoção de amizade.

É fácil envolver, ser humano,
trazer para si calor ou ânimo.

O vício que faz sentir abalar,
distrair,compartilhar.
A frente do monitor é solidário,
mas nunca solitário.
é sensível, flexível,
se deixa levar.

E a alma se supre.
Facebook, MSN: quer-se.

E o espírito se enche, distrai-se do mundo...
o nível de sentimento sobe, sobe...
...e transborda.

Transborda. Pronto. Atinge...

Agora, cama! Que amanhã o mundo pede que se acorde cedo:
REALIDADE!

Bébe – mamãe

Bébe – mamãe

Eu sou teu anjinho que veio do céu
meu nome conheces, eu sou Gabriel.
Meu sono tu velas com tanto carinho
que eu falo baixinho ao teu coração.
Eu sou teu anjinho e preencho quietinho
a vida repleta de indagação.
Eu sei que tu sentes vazio de ser,
por mais coisas belas deserto sem água
a vida, às vezes, me parece ser.
Mas saiba, eu sou teu anjinho, jorro carinho
e até no dormir a paz almejada eu posso ceder.
Se o deserto em que vives consome teu ser,
entenda mamãe: eu sou teu anjinho
comigo há água que podes beber.

(para meu filho Gabriel, que cuida de mim)

Carol Bueno

Andarilha

Andarilha

Suspiros ofegantes, ideias delirantes
músculos latejantes, desejos sufocantes! 
Faça-me amante, seja eu errante,
vadia ambulante, na busca incessante,
ainda elegante, embora exaltante,
pelo...
          galante...
                            que  não me soube a
                                                             m
                                                                a
                                                                   r.

Carol Bueno

Amor tão longe, amor tão perto

Amor tão longe, amor tão perto

Esses versos existem porque minha caneta resolveu pegar...
assim como a vontade de dividir-me... (a vontade nasceu aleatoriamente...)

O que me fez olhar para você eu não sei responder...
talvez uns minutos se consolidavam num plano supra-real, enquanto era para ser;
assim foi (sem que eu desse por mim)
A voz, timidez, olhar, toque...
 marcaram uns minutos que deveriam ser, como tudo até então, fugaz. Mas não foi.
E no tempo e no espaço, esses minutos se passaram sem medida e, assim, se tornaram um eterno momento, diga-se inesquecível.
Acima de tudo o que trará ou levará o amanhã: por um momento na minha existência eu posso dizer que eu fui você em mim.
Ainda com a dura possibilidade de ser efêmero esse neo-amor, acima de tudo:
você é especial para mim. Guardo você num cantinho especial do coração e, saiba, lá nesse cantinho você está morando sozinho. E esse cantinho é grande.
Agora. Agora?!
Tão perto e tão longe.
Será amor? Insistente em existir, apesar de...?
Tão longe e tão perto.
Tão perto e tão longe.

Sem poder tocá-lo, a minha caneta fala
desse amor impossível, porém amor.
Amor tão longe e tão perto
tão perto e tão longe, porém amor
                                                         ... porém amor.

Amor: vida-morte

Amor: vida-morte

Por que havia de ser diferente?
Só porque a plenitude envolveu o Beijo,
 o Toque, o Olhar
que trocamos em amor sob o brilho lunar?
E o corpo no corpo prazer devolveu?
Não! Só dessa vez podia ser diferente...
Mas saudade é inexorável conseqüência
para quem um dia experimentou
a delícia expressa na palavra AMOR.
A história de Amor só é verdadeira
se a Solidão for o ponto final.

Aceita o sol

Aceita o sol

Eu sou poeta
mas aprendi a amar
a sorrir,
... a cantar,
... a conseguir,
... a sonhar

Em meio à guerra exterior
serenidade minha pena traz
torna-me o mais pleno ser
que tem em sua boca
um grito pela paz

Eu sou poeta
mas aprendi a amar
ser sensível ao que se vê,
não se deixar envolver
pela presente dificuldade
mas concebê-la como um desafio

Ah... mas que bom que há disputa
E que ela seja intensa!
Que para deleitar na vitória
lutar é necessário, o desgaste recompensa
Ah... olha pra mim!
Vem comigo para onde eu for...
Já não sentes o calor?!
Vem!
que eu sou poeta
...
     ... mas aprendi a amar    

a ousadia

a ousadia

Meu amor, é bom estar aqui!
Olhar até poder te ver,
Ir contigo...  te conceber!

Anjo que me faz ir ao céu
atingir as nuvens,
Dono de  mim, senhor do meu templo
servir-te-ei no meu amor...

 Real?

 Será, talvez, se não ficar na inércia platônica...
 Idealizar é covardia!